Estivemos presentes neste espetáculo magnífico, baseado em um projeto de idéias que a primeira vista, acredito tenha sido impossível, mas com boa vontade ele se concretizou. _ Como levar em um caminhão saculejando em uma estrada um piano? Este projeto de levar a música de Arthur Moreira Lima ao público foi muito bem recebido. Assim podemos dizer que nada é impossível, não faltam idéias, e sim os insentivos.
Aproveitamos para sugerir a organização de shows de nossa Prefeitura Municipal, para quando ouver apresentações da nossa Orquestas, Corais ou até mesmo em determinados eventos que façam como foi a do espetáculo de Moreira Lima. Foi colocado cordas de segurança, guardas municipais, e principalmente cadeiras para as autoridades e para o público em geral foi avisado para levarem cadeiras de casa, posteriormente como não foram ocupadas pelas autoridades, as mesma foram liberadas, tudo foi organizado antes do início do espetáculo. Quem realmente prestigiou foi a população de Pelotas.
Parabéns a todos em especial ao grande Arthur Moreira Lima de proporcionar esta apresentação de maneira grandeosa que poucos artistas reconhecidos ou não se animariam a fazê-lo.
Rejane Botelho

O caminhão da música estaciona no Mercado
Inês Portugal Amúsica clássica ao alcance de todos. Essa é a essência do projeto Um Piano pela Estrada que leva Arthur Moreira Lima e seu caminhão-teatro para todo e qualquer lugar do país. Os concertos são literalmente transportados e realizados num Scania, de 14,5 metros de comprimento, especialmente adaptado para se transformar em um palco de 45 metros quadrados.De acordo com o produtor geral, Manuel Luiz da Silva, o caminhão-teatro dispensa a construção ou locação de um palco, elimina os custos de aluguel de um piano de primeira linha e ainda permite o imediato deslocamento para a realização de novos espetáculos em cidades vizinhas. "Nossa produção tem 14 pessoas que viajam junto para garantir a qualidade e a eficiência de luz, som e imagem", justificou.Na equipe, um profissional tem o mesmo peso do mestre. Carlos Gustavo é o afinador. Ele trabalha há 22 anos com o pianista e sem ele, não há concerto. Sua tarefa resume-se não só a afinar, mas montar e desmontar o Steinway & Sons que está com o Arthur desde a década de 70. Engana-se quem pensa que o instrumento sofre com o deslocamento. "O que prejudica o som das cordas é a mudança de clima", afirmou. TRAJETOA primeira aventura em 2003 São Francisco, um rio de música percorreu o rio São Francisco, da nascente até a foz no Atlântico, e atravessou cinco estados em muitas apresentações, assistidas por aproximadamente 60 mil pessoas. "Percorremos dez mil quilômetros naquele ano, em algumas cidades o caminhão chegou em cima de uma balsa", lembrou o produtor. Hoje, dois anos depois, graças ao apoio dos patrocinadores - Caixa Econômica Federal, Petrobras e Renault - Arthur e seu piano seguem na estrada. Desta vez, o objetivo consiste em percorrer as cidades e estados do oeste e da fronteira do extremo sul. "Nos caminhos pela fronteira vamos do Chuí ao Xapuri, no Acre", descreveu. Este ano o último espetáculo foi em São Miguel do Oeste, Santa Catarina, e em 2006, após o Carnaval, o comboio parte rumo ao Paraná.INFRA-ESTRUTURA No Scania que vira palco está o camarim do pianista. Um ambiente de dimensões pequenas muito bem equipado com frigobar, ar-condicionado, poltrona, teclado eletrônico, armário - no qual estão pendurados smokins de vários tecidos, da lã ao linho - e um banheiro. Mas Arthur não viaja ali. Para transportar artista e produção são utilizados dois carros de passeio. E ainda há outro caminhão. Neste veículo de apoio viajam independentemente equipamentos de som, telão e luz. repertório ecléticoNa sexta-feira da semana passada, o largo Edmar Fetter foi palco de um espetáculo à altura dos prédios históricos localizados no seu entorno. Obras de Chopin, Beethoven e Villa-Lobos interpretadas pelo pianista Arthur Moreira Lima silenciaram e emocionaram a eclética platéia presente. Embora a temperatura não fosse exatamente convidativa para se fi-car ao ar livre, a noite ajudou. Nuvens esparsas dissiparam-se revelando a Lua em quarto crescente no céu estrelado. Cenário perfeito para que os dedos do famoso pianista carioca executasse a sua dança. "Não fosse pelo vento, teria a nítida sensação de estar em uma sala de concerto", revelou o instrumentista. Uma das obras mais conhecidas de Ludwig Van Beethoven - Opus 27 - foi a escolhida para a abertura do repertório que reuniu músicas clássicas e popular brasileira como Asa branca de Luiz Gonzaga, Tango brasileiro de Ernesto Nazaré e Carinhoso de Pixinguinha. Imersa no som universal que ecoava pelo espaço público central, a platéia ficou de pé durante a execução da Grande fantasia triunfal sobre o Hino brasileiro e ainda suspirou ao ouvir o biz. Nada menos do que Noturno, de Fréderic Chopin. Uma música de caráter essencialmente pessoal, com um acento cheio de melancolia. Entre uma composição e outra, o pianista, muito bem humorado, fez comentários ao microfone. Falou sobre as andanças pelo interior do Brasil, gargalhou ao lembrar dos croquetes de beira de estrada e ainda classificou o povo gaúcho como nacionalista. "Pelotas talvez seja a mais importante cidade do estado por sua imensurável tradição cultural. É um prazer estar aqui."

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